Mercado

Crédito Imobiliário Surpreende e Cresce 23% no 1º Semestre, Mesmo Com Juros Altos: Entenda os Motivos

Data:

Autor:

Luis Sperb - GRP

Maquete fotorrealista de um moderno empreendimento imobiliário residencial ao lado de papéis de financiamento e uma chave de casa sobre uma mesa de madeira.

O mercado imobiliário brasileiro voltou a demonstrar resiliência frente a um dos cenários econômicos mais desafiadores dos últimos anos. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as concessões de crédito para aquisição e construção de moradias somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre.

O resultado representa uma expansão de 23% em comparação aos R$ 147,1 bilhões movimentados no mesmo período do ano passado. Ao todo, aproximadamente 850 mil imóveis foram financiados nos primeiros seis meses, superando as expectativas do setor e sinalizando uma forte demanda represada por moradia e investimento.

Por Que o Mercado Imobiliário Segue Aquecido com a Selic Elevada?

Mesmo com a Taxa Selic mantendo-se em patamares elevados (na casa dos 14% ao ano), a busca por financiamento não desacelerou como muitos analistas projetavam. Diversos fatores combinados sustentaram esse ritmo de crescimento:

  1. Aumento dos Preços de Aluguel: A escalada expressiva nos valores das locações em grandes centros urbanos empurrou muitos inquilinos para a compra da casa própria, tornando a prestação do financiamento mais atrativa a longo prazo.

  2. Valorização dos Imóveis: O imóvel segue consolidado como uma das formas mais seguras de proteção patrimonial contra a inflação, atraindo investidores.

  3. Resiliência do Mercado de Trabalho: Níveis estáveis de emprego e renda mantiveram a confiança do consumidor para assumir compromissos financeiros de longo prazo.

SBPE e FGTS Lideram as Concessões de Financiamento

A expansão do crédito foi impulsionada principalmente por duas modalidades essenciais de financiamento habitacional:

  • Recursos do SBPE (Poupança): As operações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo totalizaram R$ 93,7 bilhões, uma alta de 29%. O destaque do segmento foi a linha voltada para a construção, que deu um salto expressivo de 107% (atingindo R$ 26,5 bilhões).

  • Recursos do FGTS (Minha Casa, Minha Vida): Os financiamentos lastreados no FGTS cresceram 22%, somando R$ 77,6 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela ampliação do orçamento habitacional e pelas novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida.

Por outro lado, o volume concedido via recursos livres dos bancos registrou recuo de 8%, somando R$ 9,6 bilhões, evidenciando o custo mais elevado das captações fora dos fundos tradicionais.




                     CONCESSÕES DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (1º SEMESTRE)
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| Modalidade             | Volume Concedido  | Comparativo Anual | Destaque      |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| SBPE (Poupança)        | R$ 93,7 bilhões   |  +29%             | Construção    |
| FGTS (MCMV)            | R$ 77,6 bilhões   |  +22%             | M. Casa M. V. |
| Recursos Livres        | R$ 9,6 bilhões    |  -8%              | Taxas livres  |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| TOTAL DO MERCADO       | R$ 180,9 bilhões  |  +23%             | 850 mil bens

                     CONCESSÕES DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (1º SEMESTRE)
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| Modalidade             | Volume Concedido  | Comparativo Anual | Destaque      |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| SBPE (Poupança)        | R$ 93,7 bilhões   |  +29%             | Construção    |
| FGTS (MCMV)            | R$ 77,6 bilhões   |  +22%             | M. Casa M. V. |
| Recursos Livres        | R$ 9,6 bilhões    |  -8%              | Taxas livres  |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| TOTAL DO MERCADO       | R$ 180,9 bilhões  |  +23%             | 850 mil bens

                     CONCESSÕES DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (1º SEMESTRE)
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| Modalidade             | Volume Concedido  | Comparativo Anual | Destaque      |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| SBPE (Poupança)        | R$ 93,7 bilhões   |  +29%             | Construção    |
| FGTS (MCMV)            | R$ 77,6 bilhões   |  +22%             | M. Casa M. V. |
| Recursos Livres        | R$ 9,6 bilhões    |  -8%              | Taxas livres  |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| TOTAL DO MERCADO       | R$ 180,9 bilhões  |  +23%             | 850 mil bens

                     CONCESSÕES DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (1º SEMESTRE)
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| Modalidade             | Volume Concedido  | Comparativo Anual | Destaque      |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| SBPE (Poupança)        | R$ 93,7 bilhões   |  +29%             | Construção    |
| FGTS (MCMV)            | R$ 77,6 bilhões   |  +22%             | M. Casa M. V. |
| Recursos Livres        | R$ 9,6 bilhões    |  -8%              | Taxas livres  |
+------------------------+-------------------+-------------------+---------------+
| TOTAL DO MERCADO       | R$ 180,9 bilhões  |  +23%             | 850 mil bens

Novos Instrumentos e o Crescimento do Home Equity (CGI)

Diante do cenário em que a caderneta de poupança sofre com captações líquidas negativas, o mercado vem migrando aceleradamente para títulos privados, como LCIs, LIGs e CRIs.

Outro segmento que apresentou forte tração foi o Crédito com Garantia de Imóvel (CGI), popularmente conhecido como Home Equity.

  • As concessões de CGI cresceram 30,9% no primeiro semestre, movimentando R$ 6,67 bilhões.

  • O tomador médio contratou cerca de R$ 267 mil, com prazo médio de amortização de 13 anos.

  • Os proprietários utilizaram, em média, um terço do valor de avaliação do imóvel como garantia do contrato.

Essa modalidade ganha espaço por oferecer taxas substancialmente mais baixas do que o crédito pessoal ou empresarial sem garantia.

O Que Esperar do Mercado Imobiliário até o Fim do Ano?

Com os resultados do primeiro semestre superando as projeções iniciais, a Abecip já estuda revisar para cima suas estimativas de expansão para o ano. A projeção anterior, formulada no início do ano, previa uma expansão de 16% (cerca de R$ 375 bilhões).

Analistas ressaltam que, embora a Selic alta imponha um teto ao ritmo de transmissão de descontos para o mutuário final, a forte formação de novas famílias e a consolidação de novas fontes de financiamento no mercado de capitais devem manter o setor imobiliário aquecido ao longo dos próximos trimestres.