Mercado

Ata do Copom: Banco Central Sinaliza Corte da Selic para Março, mas Mantém Cautela

Data:

9 de fev. de 2026

Autor:

Luis Sperb - GRP

Copom Corte Selic
Copom Corte Selic
Copom Corte Selic

A ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada nesta terça-feira (3), trouxe clareza sobre os próximos passos da economia brasileira: o ciclo de distensão monetária deve começar em 17 de março. No entanto, o Banco Central (BC) enfatizou que o ritmo e a extensão desses cortes permanecem indefinidos, condicionados à evolução dos dados macroeconômicos.

Magnitude e Duração do Ciclo de Cortes em Aberto

A principal mensagem do colegiado é a de dependência de dados. Embora a intenção de reduzir a taxa básica de juros (atualmente em 15% ao ano) seja clara, o BC não se comprometeu com uma trajetória pré-definida.

  • Foco no Tempo: A magnitude e a duração do ciclo serão determinadas conforme novas informações forem incorporadas.

  • Divergência no Mercado: Enquanto economistas debatem se o corte inicial será de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual, parcelas do mercado mais otimistas já especulam uma redução de até 0,75 ponto.

  • Sinais Mistos: O Copom destacou que a economia brasileira apresenta ritmos de desaceleração variados, o que dificulta a identificação de tendências imediatas.

A Necessidade de Juros Restritivos

Mesmo com a sinalização de queda, o Copom foi unânime ao reafirmar que os juros devem permanecer em níveis restritivos. Essa estratégia visa garantir que a inflação não apenas caia, mas que as expectativas do mercado se ancorem à meta estipulada.

Projeções de Inflação (IPCA)

O Banco Central manteve suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ligeiramente acima do centro da meta (3%):

  • 2026: Previsão de alta de 3,4%.

  • 3º Trimestre de 2027: Estimativa de 3,2%.

A resiliência do mercado de trabalho e as pressões sobre os preços correntes são os principais fatores que exigem a manutenção do rigor monetário neste momento de transição.

Harmonia Fiscal e o Prêmio de Risco

Um ponto de destaque na ata foi a relação entre a política monetária e a disciplina fiscal. O Comitê alertou que incertezas sobre a estabilização da dívida pública e o esmorecimento de reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia.

"Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta", afirma o documento.

Em suma, para que o corte da Selic seja sustentável e profundo, o Banco Central sinaliza que o governo precisa manter o compromisso com a responsabilidade fiscal, evitando que o custo da desinflação prejudique excessivamente a atividade econômica.

Conclusão

O início da flexibilização monetária em março é um marco aguardado, refletindo o ganho de confiança no processo de desinflação. Contudo, o tom do Banco Central é de vigilância. A "calibragem" do nível de juros será feita com cautela, garantindo que o compromisso com a meta de inflação permaneça inabalável diante de um cenário global e doméstico de elevada incerteza.